Nos sanfermines é bonito ver todo mundo vestido de branco e vermelho, celebrar o chupinazo, assistir à procissão e aos desfiles de bonecos gigantes e cabeçudos, escutar as bandas e charangas, ver elementos folclóricos bem típicos das festas e os fogos de artifício brilharem no céu, e presenciar a alegria que invade as ruas de Pamplona, essa tão pacata cidade no resto do ano. Porém é triste, repulsivo e covarde o que se faz com os touros!
Assistir a um encierro pode ser interessante, pois se vê uma bela manada percorrer as ruas acompanhados por pastores e um monte de gente que corre com eles, embora isso seja muito perigoso –mais até do que alguns corredores imaginam– e possa chegar a ser fatal. Além disso, este trajeto tem como destino a Praça de Touros, onde são realizadas as horríveis e cruéis touradas. Ou seja, é o caminho que os touros percorrem para sua morte. Apesar da imagem idealizada que se cultiva da luta do homem contra a besta, uma tourada não é nada mais que um covarde jogo de cartas marcadas em que os touros, um após o outro, são atraídos, enganados, escarnecidos, lentamente feridos, humilhados e por fim executados. Não apenas por um toureiro que os enfrenta sozinho, mas por um grupo de homens –cavalheiros, banderilheiros, etc.– que preparam o gran finale de cada touro.
O ambiente das arquibancadas da Praça de Touros parece uma tétrica festa medieval em que o povo se divide de acordo com as castas ou com o poder aquisitivo, com destacada posição para os governantes. Ali os especialistas e apaixonados pela tauromaquia observam atentos cada movimento e avaliam as qualidades dos touros e tauricidas, enquanto a plebe ao sol canta, brinca, joga comida nos outros e às vezes até se esquece do que acontece na arena, mas se exalta ainda mais quando os músicos tocam para comemorar a morte do touro, que logo é arrastado e levado pelos cavalos para fora da arena para dar lugar ao próximo touro.
Sei que é uma tradição arraigada à cultura espanhola, mas não consigo achar isso normal, bonito nem aceitável.